quarta-feira, 12 de junho de 2013

Ecumenismo a partir da Obra Lucana


Frei Gilvander Luís Moreira
Adital

Foto adaptada: institutogrpcom.org.br

Iniciando a reflexão
Pode parecer anacronismo falar em ecumenismo nas primeiras comunidades cristãs a partir de Atos dos Apóstolos, mas se justifica, pois não existiu somente uma Igreja Primitiva, mas várias Igrejas Primitivas. Várias igrejas foram se constituindo a partir da igreja-mãe de Jerusalém: igrejas da Samaria, de Cesareia, de Antioquia, de Roma, de Corinto, de Tessalônica, de Roma e muitas outras. Igrejas que cultivavam o respeito ao diferente nas suas relações internas e também na sua relação com outras igrejas que, mesmo sendo cristãs, tinham ensinamento e práticas distintas. Assim sendo podemos dizer que segundo a obra de Lucas –Evangelho de Lucas (Lc) e Atos dos Apóstolos (At)-, as primeiras comunidades cristãs, eram, por excelência, ecumênicas. Costuravam uma unidade entre elas com base na diversidade e na pluralidade e regiam-se por um projeto de inclusão, de comunhão, de convivência fraterna, de fração do pão e oração. Em Atos dos Apóstolos há uma valorização da alteridade, do outro. É a partir do outro e, especialmente, do outro que é injustiçado que se analisa a realidade e atua de forma transformante. O Espírito Santo está em nós como está no outro (At 10,44-45).
Identificamos nove posturas ecumênicas nas primeiras comunidades-Igrejas cristãs. Ei-las, abaixo.
1.Desapego de doutrinas
Ser ecumênico significa desapegar-se de doutrinas e colocar a vida
humana
– envolvendo também toda a biodiversidade - acima de tudo. Isso aconteceu na vivência dos primeiros cristãos e cristãs. O apóstolo Pedro, segundo Atos dos Apóstolos, teve a grandeza de se desvencilhar-se das doutrinas da pureza e da impureza. Ele se desinstalou de Jerusalém, onde nasceu e se desenvolveu a comunidade-mãe, e partiu para a missão no meio dos excluídos, dos discriminados. Conviveu por algum tempo com Simão, seu xará, e, acima de tudo, como profissão, era um curtidor de couro, considerado o mais impuro entre os impuros. Em um bonito processo de conversão, Pedro foi ao encontro do oficial romano Cornélio, mas teve de justificar sua conduta em Jerusalém (At 11,1-18). Pedro arcou com as conseqüências da sua postura aberta e inculturada. Voltando a Jerusalém, "foi encostado na parede”. Dois grupos se enfrentaram: de um lado, os apóstolos e irmãos da Judeia, os da circuncisão, censuravam Pedro por ter entrado em casa de incircuncisos e comido com eles (At 11,3). Do outro lado, o próprio Pedro com a experiência do Pentecostes dos gentios (At 10,44.47) no coração e na mente (At 11,17).
Pedro teve de partilhar a experiência de Deus vivida no meio dos gentios e dos excluídos. Lucas registra que a conversão de Pedro contribuiu para a conversão da Igreja-mãe, a de Jerusalém (At 11,4-18). Por três vezes Pedro ouviu: "Não chame de impuro o que Deus purificou” (At 11,9); e por três vezes esse acontecimento é narrado em Atos dos Apóstolos. Isso mostra a interpretação rigorosa que alguns faziam das leis, e aponta a barreira que devia ser superada. As primeiras comunidades cristãs sofriam na pele as conseqüências dramáticas da lei da pureza e da impureza. "Um povo inteiro” era marginalizado e excluído. O Espírito de Deus aponta insistentemente em outra direção: para Deus não existe puro e impuro. Ele ama a todos, não exclui ninguém.
Provavelmente já havia em Jerusalém um grupo mais radical e outro mais moderado. O motivo da reprovação não é o batismo, mas a entrada de Pedro em casa de uma pessoa pagã e a refeição comum de ambos. Em sua defesa, Pedro acentua a iniciativa divina, e os de Jerusalém acabam por abrir-se à ação do Espírito no meio dos excluídos (At 11,18).
O episódio de Cornélio ocupa um lugar de destaque nos Atos dos Apóstolos: foi uma antecipação da "assembléia de Jerusalém”, em At 15,1-35, e preparou as missões de Paulo (At 15,36–19,20). Cornélio representava o Império Romano e o modo como Lucas achava que as pessoas deviam comportar-se em relação ao império. O oficial romano não debateu, não pôs condições. Pedro falou e ele ouviu atentamente o Evangelho de Jesus Cristo. Para Lucas, não era impossível que os funcionários romanos se convertessem e assim pusessem serviços e estruturas do império à disposição da irradiação da Palavra de Deus, o projeto do evangelho de Jesus Cristo. Com esse exemplo, Lucas espera convencer altos funcionários romanos à fé cristã.
Desapego a doutrinas leva a rompimento e a superação de barreiras. Eis outra característica do ecumenismo segundo o livro de Atos dos Apóstolos.
2.Rompimento e superação de barreiras
Em Atos, barreiras vão sendo rompidas, uma a uma, até o capítulo 15, no qual se vence a maior de todas: a exigência da circuncisão. A partir de At 15,36, uma vez vencidas as barreiras, as portas para uma evangelização inculturada são escancaradas. Eis algumas das muitas barreiras que são superadas, em parte ou totalmente, segundo Atos dos Apóstolos:
·A mesa comum — antes um judeu não podia entrar na casa de um pagão e, muito menos, comer com ele. O apóstolo Pedro percorre todos os lugares. Encontra paralíticos e os cura. Permanece vários dias em Jope, hospedado na casa de um curtidor de couro chamado Simão (cf. At 9,32-35.43). Entra na casa de um oficial romano, em Cesareia (At 11,12). Assim, cai por terra a impossibilidade de mesa comum entre judeus e pagãos.
·A herança de Israel (lei mosaica) — passa a ser de todos e não somente dos judeus. As primeiras comunidades cristãs fazem a experiência segundo a qual Deus não faz discriminação de nenhuma ordem (cf. At 10,15).
·Templos e sinagogas não são mais os centros sagrados e orientadores da vida das comunidades — a missão acontece com base nas casas (oikia, em grego). A casa de Simão, o curtidor de couro (At 9,43); a casa de Cornélio (At 10,1); a casa de Maria, mãe de João Marcos (At 12,12); a casa do procônsul Sérgio Paulo (At 13,7); a casa de Filipe, o evangelista, (At 21,8) etc. De casa em casa, o projeto do movimento de Jesus se irradia da Galileia, passando por Jerusalém, até os confins da terra, a capital do Império Romano.
·Os pagãos são aceitos nas comunidades cristãs, sem ser circuncidados — O concílio de Jerusalém (cf. At 15,1-35) atesta um salto de qualidade na caminhada das primeiras Igrejas cristãs ao concordar com os clamores da Igreja de Antioquia, igreja de periferia, que advogava a superação da barreira da circuncisão como condição para ser cristão.
·A lógica e a ideologia do Império Romano vão sendo minadas e corroídas, pela vida organizada em comunidades, e não mais no individualismo— As comunidades cristãs percebem que diante de um império muito poderoso, a melhor estratégia é a infiltração e não o confronto. Como cupim debaixo da ponte, as comunidades cristãs vão solapando a lógica e as estruturas do império.
·O abismo que separa ricos e pobres ganha uma ponte — assim sendo começa a existir comunicação entre os "grandes e os pequenos”, entre o mundo dos incluídos e o mundo dos excluídos. Com a comunicação afetiva e efetiva, muitos preconceitos, tabus e distanciamentos vão se desmanchando. Nada melhor do que a convivência com os pobres para fazer ruir, com um castelo na areia, preconceitos e tabus.
·Patriarcalismo e machismo são questionados pela presença e protagonismo das mulheres nas Comunidades Cristãs — são as "Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da primeira hora(1).
A partir do encontro de Pedro com Cornélio, cai a barreira entre judeus e não-judeus.
Nos atos do apóstolo Pedro (At 10,1—11,18), temos o relato de duas conversões entrelaçadas e interdependentes: a conversão de Cornélio e de toda a sua casa-comunidade e a conversão de Pedro e de parte da Igreja judaico-cristã de Jerusalém. À primeira vista, o Espírito atuou em Cornélio, mas, observando nas entrelinhas, vemos que o Espírito agiu também e principalmente no apóstolo Pedro. Hoje, o Espírito atua do mesmo modo nos evangelizadores e nos evangelizados. Pedro evangelizava as comunidades judaico-cristãs de Lida e Jope. O Espírito mudou seu programa e o levou onde ele jamais pensava ir.
O rompimento/superação de barreiras convida para a comunhão "total” de vida. Eis outra característica do ecumenismo segundo o livro dos Atos dos Apóstolos.
3.Comunhão "total” de vida
O ecumenismo nos leva a um sentimento de pertença. Ser ecumênico implica sentir-se elo vivo da grande comunidade de vida, em uma comunhão real e "total”. Para Paulo, e também para Lucas, o que caracteriza a comunidade cristã é uma comunhão "total”: material e espiritual, com participação na mesma mesa. Não basta fraternidade "espiritual” ou de amizade; é preciso também fraternidade econômica(2), política e cultural. Não agradam ao Espírito de Deus pessoas que se encontram para a eucaristia aos domingos, mas que durante a semana oprimem umas às outras. Lucas quer romper as oposições entre grupos e pessoas, entre ricos e pobres, escravos e senhores, judeus e não-judeus, homens e mulheres, trabalhadores e patrões. É ilusória a comunidade na qual uns poucos se banqueteiam e outros passam fome, uns têm casas próprias e outros devem pagar aluguéis caríssimos, uns ganham demais e outros ganham quase nada, uns vivem no luxo e outros sobrevivem do/no lixo; uns detêm o poder(3) e outros são subjugados.
A comunhão eclesial é, antes de tudo, uma comunhão material, corporal: as pessoas devem estar lado a lado, comer a mesma comida, partilhar alegrias e angústias. Uma missão direcionada aos não-cristãos implica aproximação das relações sociais com gente considerada excluída, impura.
Olhando a com base nos(as) excluídos(as) das nossas Igrejas, constatamos com pesar que a lei do puro e do impuro, de modo disfarçado, continua em plena vigência. O que pensar dos casais não casados na Igreja que encontram muitas barreiras para batizar seus filhos? O que pensar das viúvas que reencontram o amor, mas não podem casar-se porque o homem é separado? O que pensar da proibição católica de preservativos quando o vírus HIV assola um número assustador de pessoas? O que pensar de 75% das comunidades cristãs católicas, entre as quais as Comunidades Eclesiais de Base, que não têm o direito sagrado de participar da eucaristia dominical? O que pensar das pessoas divorciadas que são excluídas da mesa eucarística. E muitas outras questões. Tudo isso é, na prática, apego à lei da pureza, o que pisa na dignidade humana. Usar o nome de Deus, um discurso religioso para justificar práticas discriminatórias é terrorismo religioso, algo execrável. Feliz quem denuncia os moralismos e os fundamentalismos.
A comunhão "total” de vida conduz à superação de preconceitos.
4.Superação de preconceitos
Pedro, "o apóstolo dos circuncisos” (Gl 2,7), cura o paralítico Eneias (At 9,32-35) em Lida, reanima Tabita (At 9,36-42) em Jope e legitima Simão, um curtidor de couro (At 9,43). Tudo isso é descrito em At 9,32-43. Tais sinais, ao romper as barreiras da paralisia, da doença-morte e das profissões impuras, mostram a sintonia total entre Jesus e Pedro. Jesus continua agindo por meio de Pedro. Tal Jesus, tal Pedro. A cura de Eneias lembra Jesus curando um paralítico (Mc 2,1-12), e o episódio da reanimação de Tabita atualiza o relato da reanimação da filha de Jairo (Mc 5,36-43) e evoca também os relatos de reanimação do ciclo de Elias e Eliseu (1Rs 17,17-24; 2Rs 4,18-37).
Em Jope, Pedro fica na casa do curtidor de couro chamado Simão (9,43). A profissão de curtidor era considerada pelos judeus a mais impura das profissões e uma pessoa impura era excluída da convivência social e religiosa. A comunidade onde Pedro se hospeda não se submete aos critérios rigorosos de pureza dos doutores da lei. O cristianismo espalhou-se principalmente entre as categorias de pessoas modestas, que eram, mais ou menos, marginalizadas pela lei, além de penetrar na classe média, aberta à novidade.
Eneias, Tabita e Simão são pessoas que simbolicamente representam as comunidades judaico-cristãs. Algumas estavam paralisadas; outras estavam enfraquecidas a ponto de morrer; e outras estavam sendo marginalizadas pelo judaísmo oficial. Pedro, com a mensagem de Jesus, chega para revitalizar, para fortalecer e para libertar essas comunidades.
A superação de preconceitos estimula a abertura para o novo, o diferente, o excluído.
5.Abertura para o novo, o diferente, o excluído (At 6,1-7)
Ser ecumênico implica abrir-se ao novo que não é apenas novidade, ao diferente que tem direito de ser diferente. Os Helenistas eram judeus cristãos de língua e cultura grega, residentes em Jerusalém, provavelmente originários da diáspora. Tratava-se de um grupo profético, crítico em relação à lei e ao templo; foram também os perseguidos e dispersados no dia da grande perseguição contra a Igreja de Jerusalém, depois do martírio de Estevão (At 8,2).
O relato sobre as viúvas no livro dos Atos dos Apóstolos (At 6,1-7) é um tanto incongruente, pois trata-se de um problema de desleixo não para com todas as viúvas, mas somente para com as dos helenistas. Trata-se não de um problema prático de falta de servidores das mesas, mas de um problema de discriminação dos helenistas; portanto, não sustenta também a oposição entre diakonía, serviço das mesas (v. 2) e a diakonía da Palavra (v. 4). De At 6 a At 15, os helenistas não servem às mesas, mas dedicam-se basicamente ao serviço da Palavra. Os sete helenistas fazem, na prática, exatamente o que os apóstolos faziam: evangelizar de modo profético. Em nenhum momento da narração afirma-se explicitamente que os sete são diákonos(utiliza-se somente o verbo servir, diakoneo, em grego) e o substantivoserviço (diakonía, em grego).
Duas soluções se apresentam para explicar as contradições de At 6,1-7. Em primeiro lugar, é possível que Lucas tenha unido dois fatos ou tradições históricas diferentes: uma mais antiga, referente ao problema prático do serviço às mesas, e outra posterior, a respeito do conflito entre o grupo dos hebreus e o dos helenistas. Em segundo lugar, os sete helenistas, no começo, tinham sido escolhidos realmente para servir às mesas. No entanto, em pouco tempo, essa diakonía das mesas levou-os para além dessa tarefa prática, para o serviço profético da Palavra. Segundo essa hipótese, pode-se dizer que os sete helenistas descobriram sua vocação profética a partir do serviço quotidiano aos excluídos da comunidade. Lucas nos mostra que quando os conflitos são resolvidos de forma correta e em sintonia com o Espírito do Deus da vida, toda a Igreja sai fortalecida.
Abertura para o novo, o diferente, o excluído, deságua na não-discriminação de ninguém. Eis outra característica do ecumenismo segundo o livro de Atos dos Apóstolos.
6.Não discriminar ninguém
Segundo At 10, Pedro tem uma visão na qual se recusa comer alimentos impuros e parece desconhecer a declaração de Jesus de que todos os alimentos são puros (Mc 7,17-23). Pedro agiu como judeu de estrita observância das regras alimentares. O sentido dessa visão só vai ser esclarecido em At 10,28, quando uma voz, em outra visão, diz a Pedro que todos os alimentos são puros. Lucas menciona Gen 1,24; 6,20 como se dissesse: "Mas no início não era assim”, pois Deus criou tudo com a mesma dignidade e não fez distinção entre puro e impuro. Por meio da visão de Pedro, Lucas esclareceu duas posturas diferentes diante dos alimentos e diante das pessoas: "Judeu-cristãos podem comer de tudo, pois nenhum alimento é impuro”; "todas as pessoas são iguais”. Com base nesse esclarecimento, judeu-cristãos superam o problema cultural de não poder sentar à mesa, com gentios, para comer. Jesus teve a grandeza de ultrapassar limites culturais e quem agir como ele — entrando nas casas dos não-judeus e comendo com eles — prestar-lhe-á homenagem e agradará "aos céus” (At 10,16).
Enquanto Pedro estava ainda perplexo, os enviados de Cornélio chegaram e o convidaram a ir à casa do centurião para ser ouvido(At 10,17-23). A ordem para acompanhar os enviados veio do Espírito Santo (At 10,19-20). Aqui aparece um elemento novo: Pedro foi convidado a ir à casa de Cornélio para ser ouvido, não para ser investigado pela sua prática, o que seria mais natural, pois Cornélio era um oficial militar do império.
Pedro veio de Jope acompanhado por seis irmãos (At 10,11-14). Cornélio apareceu acompanhado por toda a sua casa-comunidade. São duas comunidades, cada uma com sua liderança, encontrando-se e é Pedro quem faz a conexão entre elas.
Somente quando entrou na casa de Cornélio é que Pedro entendeu o significado da visão que teve anteriormente: ele referiu-se à lei judaica, que proíbe um judeu de juntar-se a um estrangeiro e entrar em sua casa, e ressaltou a ordem divina de não chamar de profano ou de impuro nenhuma pessoa (At 10,28). O discurso de Pedro mostrou sua mudança de atitude: Deus não faz discriminação de pessoas(4), o importante é a prática da justiça(At 10,34-35). O discurso de Pedro é interrompido pela descida do Espírito Santo, que paira(5) sobre todos os que ouviam a Palavra (At 10,44). Faíscas de Deus saem do discurso de Pedro. Os circuncisos, que vieram com Pedro, ficam atônitos ao ver que os gentios recebem o Espírito Santo do mesmo modo como a comunidade de Jerusalém o recebeu. À ordem de Pedro para que todos sejam batizados, nasce a primeira comunidade cristã gentia (At 10,24-48).
A atitude de não discriminar ninguém é caminho que estabelece a ajuda mútua e a solidariedade com base nas necessidades. Passa pelo diálogo que pressupõe amor ao outro, fé no outro e humildade. Eis outra característica do ecumenismo segundo o livro dos Atos dos Apóstolos.
7.Ajuda mútua e solidariedade conforme as necessidades
Em At 11,28, o profeta Ágabo escutou um "surrurro-cochicho” de Deus, analisou criticamente a realidade e advertiu: "Virá uma grande fome sobre toda a Terra”. Sensibilizada pela fome dos "santos”(6) de Jerusalém, a comunidade cristã de Antioquia enviou-lhes recursos(7) por meio de Barnabé e Paulo, solidarizando-se com eles nos momentos de fome. Aqui temos um primeiro exemplo de "ajuda intereclesial”, isto é, Igrejas que dão as mãos considerando-se Igrejas-irmãs.
Lucas legitimou a Igreja de Antioquia, sem desprezar a Igreja de Jerusalém. As duas são necessárias: uma para assegurar a continuidade com Israel e a outra para assegurar a missão aos gentios. Mas ambas são convidadas a pensar e agir a partir dos oprimidos. A existência dos diversos modelos de Igreja no cristianismo originário desafia as nossas Igrejas: devemos construir comunidades que sejam comunhão de Igrejas, comunhão de diferentes modelos eclesiais, uma Igreja que seja comunhão de comunidades.
8.Princípios ecumênicos nas primeiras comunidades cristãs
Todos são iguais diante de Deus (Mc 7,24-30; Lc 7,1-10; 13,22-30). A lei já ensinava: "Deus não faz acepção de pessoas” (Dt 10,17). Paulo assumiu esse ensinamento na carta aos Gálatas (Gl 2,6; 3,28), afirmando que na comunidade, após o batismo, que é igual para todos, não pode haver diferença entre judeus e gregos (preconceitos de raça, de origem, de família ou de tradição), entre escravo e livre (preconceitos econômicos, profissionais ou sociais), entre homem e mulher (preconceitos sexistas ou de gênero). Lucas se refere ao mesmo ensinamento em At 10,34.
O Espírito Santo está em todos e em tudo, permeia e perpassa tudo. Todos nós somos irmãos e irmãs. As comunidades se organizam de acordo com os excluídos e as casas. A vida de todos e de tudo é o valor maior. Ensinamento dos enviados de Deus, os apóstolos, não os do império. A vida do povo é a melhor escola.
Livre e libertador, o Espírito de Deus é condutor do processo de abertura para atender às diferentes necessidades.
Nos Atos dos Apóstolos temos estas características de universalidade: a) de Pessoas: Pedro e Paulo, Barnabé, muitas mulheres); b) de Igrejas: de Jerusalém, de Samaria, de Antioquia; d) de Regiões: Judéia (Jerusalém) e Síria (Antioquia); e) de
Classes
sociais: ricos e pobres; f) de Religiões: judeus e pagãos; g) de Gênero: homem e mulher; e h) de Exercício de poder-serviço.
Para finalizar, não podemos esquecer-nos que em Atos dos Apóstolos encontramos também uma abertura para a inculturação. Eis mais uma característica presente no seio das primeiras comunidades cristãs.
9.Inculturação
O tema de um santo que viria a este mundo por um nascimento virginal era conhecido tanto em círculos judaicos como em tradições helenísticas e egípcias. Fílon, o filósofo judeu, já considerava o nascimento de Isaac um nascimento virginal e falava da união extática da alma com Deus(8). No culto egípcio do sol, celebrava-se o nascimento desse astro na passagem do dia 24 para o dia 25 de dezembro e a comunidade assim se manifestava: "A virgem pariu; a luz vem surgindo”(9). O rei do Egito —assim imaginava-se— era gerado por Deus. Todos esses elementos, egípcios e helenísticos, já estavam presentes no judaísmo. Lucas, pois, valeu-se de tradições judaicas, e respondeu também às aspirações dos gregos. Com a sua narrativa da anunciação, o evangelista soube tornar compreensível a virgindade –teológica e não física, obviamente- da mãe do Messias, a grandeza desse Messias como Filho de Deus, sua realeza eterna e sua geração pelo Espírito Santo(10). Assim como o solstício do verão segue o do inverno em uma distância de seis meses, assim Jesus nasce seis meses depois do profeta João Batista. Com ele, a luz da graça divina brilha na friagem do nosso mundo. Hoje, muitos teólogos pedem um diálogo entre as diversas religiões. Lucas já fez isso, no seu tempo, de forma muito sensata. Com as tradições de diversas correntes religiosas como pano de fundo, ele formulou a mensagem do mistério de Jesus de tal maneira que pessoas de todas as culturas religiosas podem entender o que, em Jesus, Deus lhes concedeu.
Diálogo inter-religioso verdadeiro —no nível tanto pequeno quanto grande— respeita as identidades de pessoas e grupos e, cada vez mais, é condição necessária” para uma convivência com qualidade e plenitude.
Hoje há um esforço de caminhada inter-religiosa entre várias Igrejas e religiões, mas há obstáculos que entravam esse processo.
Enfim, com Hans Kung afirmamos que não haverá paz no mundo sem paz entre as religiões. Entre nós acrescentamos, também paz entre as igrejas. Bom será se convivermos a partir de uma ética mínima. Nessa perspectiva o ecumenismo tem muito a nos inspirar.
Belo Horizonte, MG, Brasil, 04 de março de 2013.
Notas:
(1) Cf. At 16,1.11-18.40; 17,4.12.34; 18,1; 21,5.9; 22,4; 23,16; 24,24; 25,13.23; 26,30.
(2) Dom Moacyr Grechi, ao investigar denúncias de torturas de trabalhadores rurais boias-frias, disse: "Quero uma reunião somente com os trabalhadores, pois junto com os patrões eles não estarão livres para dizer a verdade.”
(3) Uma Igreja que se apega ao poder e casa com ele troca o Evangelho por uma aliança com um projeto satânico.
(4) São Tiago nos alerta que Deus não faz distinção de pessoas, mas faz opção pelos pobres. Não é tolerável "ricos” discriminarem "pobres” (Tg 2,1-9).
(5) Podemos perguntar: "Como o Espírito desceu...?” Certamente não foi de uma forma mágica. O certo é que "da mesma forma” que o Espírito agia nos primeiros cristãos continua agindo hoje no meio do povo. Um dia eu perguntei a uma religiosa: "Por que você se tornou freira?” Ela me respondeu imediatamente: "Deus me chamou!” Eu insisti: "Mas como?” Ela desconversou: "Eu teria que te contar toda a minha vida para você ver Deus me chamando, mas o mais importante é você acreditar que Deus me chamou para uma missão”. Assim também o Espírito de Deus continua agindo de mil e uma formas. Por exemplo, no 10º Intereclesial das CEBs em Ilhéus, BA, em julho de 2000, vivemos uma semana de um grande Pentecostes. Algo parecido aconteceu também no 11º Intereclesial, em Ipatinga, MG, em 2005 e no 12º Intereclesial, em Porto Velho, RO, em 2009. Quem estava lá com o coração aberto e desarmado pode ensaiar para falar o que aconteceu, mesmo sabendo que são experiências indescritíveis.
(6) Assim os cristãos eram chamados.
(7) Não se trata de esmolas, e
sim
de serviço entre irmãos ou de solidariedade (cf. Mt 10,45; Lc 22,27; 1Cor 12,5; 2Cor 4,1; 5,18; 6,3).
(8) BOVON, F. L’Evangile de Luc 1–9. Paris, 1993. p. 66.
(9)
Ibidem, p. 68.
(10) Ibidem, p. 69.

Evangelho de Lucas: história, Jerusalém e salvação


Frei Gilvander Luís Moreira
Adital


Que visão o Evangelho de Lucas apresenta de história, Jerusalém e salvação?

Teologia da História em Lucas.
Analisando atentamente o terceiro evangelho da Bíblica e os Atos dos Apóstolos percebemos que há um plano global subjacente à obra lucana. Usando a linguagem de Conzelmann, que divide a história da libertação-salvação em três períodos(1), podemos dizer que o Primeiro Testamento narra o caminho de Israel, que é o tempo das promessas(2). O evangelho de Lucas narra o caminho de Jesus, que é o tempo da realização. Podemos deduzir isso pela ênfase que se dá ao "Hoje”: "Hoje se cumpre...”(3). E os Atos dos Apóstolos narra o caminho das Igrejas, que é o tempo do Espírito Santo.
Lucas elabora uma teologia da história que tem suas raízes no passado, chega ao auge em Jesus, continua nas Igrejas(4) pela ação do Espírito Santo e consuma-se na parusia. A manifestação de Jesus não é algo que acontecerá no fim dos tempos, como se ele permanecesse ausente; é antes a manifestação gloriosa de um Jesus que sempre esteve presente nas comunidades, como aparece no evangelho de Mateus (Mt 28,20). Com a ascensão, "Jesus não foi embora”, mas foi exaltado, glorificado, legitimado. Jesus "vai, mas não vai”; ausente no aspecto físico, continua presente por meio do Espírito Santo. O corpo das pessoas que aderem ao seu projeto passa a ser o "corpo de Cristo”, movido pelo Espírito de Jesus(5). Para Lucas, Deus agiu na história da primeira comunidade cristã da mesma forma como agiu em Jesus. Este era enviado de Deus e os cristãos também o são. Por consequência, concluímos que todos somos convidados a "encarnar a realidade” de que também somos enviados de Deus para a libertação de todos e de tudo. Ignacio Ellacuría dizia que dom Oscar Romero foi (e continua sendo, mesmo depois da morte, como ressuscitado) um enviado de Deus para libertar o seu povo. Oscar Romero dizia aos cristãos perseguidos pela ditadura militar em El Salvador: "Vocês são Jesus Cristo, aqui e agora. Vocês são enviados de Deus para salvar e libertar o nosso povo”.
A parusia começou na encarnação, vida e ressurreição de Jesus e será completada quando ele terminar de voltar e não quando começar a voltar.
Jerusalém em Lucas.
O evangelho de Lucas é o único dos quatro evangelhos da Bíblia que começa e termina em Jerusalém, precisamente no templo. Imediatamente depois do prólogo geral à obra lucana (Lc 1,1-4), a primeira cena se desenvolve "no santuário do Senhor” (Lc 1,5-23). Depois da ressurreição, os onze voltam para o templo em Jerusalém (Lc 24,53). Os pais de Jesus o levam duas vezes ao templo (Lc 2,22.42). O episódio de Jesus aos doze anos conversando com os doutores no templo é prefiguração do ensinamento futuro de Jesus no templo (Lc 19,47).
Lucas apresenta as três tentações em uma ordem diferente do evangelho de Mateus. Este inicia apresentando a tentação da transformação de pedras em pão (primeira tentação), do jogar-se do pináculo do templo e ser salvo pelos anjos (segunda tentação) e a tentação de contemplar em uma alta montanha os reinos com todo o esplendor (terceira tentação) (Mt 4,1-11 e Lc 4,1-13). Para Mateus é importante colocar a última tentação no cume de uma montanha, pois o evangelho está sendo dirigido a comunidades oriundas principalmente do meio judaico, onde "montanha” é, por excelência, o local do encontro do ser humano com Deus e consigo mesmo. Assim, Mateus enfatiza Jesus, em profunda intimidade com o Pai, na montanha, superando as tentações.
No evangelho de Lucas, a primeira tentação se dá no deserto, onde Jesus é tentado a transformar pedra em pão. A segunda acontece na montanha, em que contempla os reinos. A terceira acontece no pináculo do templo, onde Jesus é tentado a saltar dali para ser salvo pelos anjos. Há uma progressão nas tentações. O clímax do confronto entre Satanás e Jesus aconteceu precisamente em Jerusalém, onde acontecerá a execução do Justo com a pena de morte, a pena capital. Assim, a cena na qual Jesus se encontra sobre o pináculo da "casa de seu Pai” se torna muito eloquente, porque no evangelho de Lucas, "Jerusalém” é o ponto de chegada de Jesus para realizar a obra (Lc 17,11; Lc 19,28-38). Para as primeiras comunidades cristãs, "Jerusalém” é o ponto de partida para a missão (Lc 24,52). Jerusalém tem uma importância particular, pois é a cidade do "destino” final de Jesus e de onde se irradia a libertação-salvação para todo o gênero humano. Jesus caminha para Jerusalém como se buscasse alcançar uma meta (Lc 13,22). Lucas valoriza "Jerusalém” não somente como lugar físico, mas primordialmente como lugar teológico que representa a "cidade de Davi”(6), o monte Sião, de onde Deus legisla. Lucas se refere a "Jerusalém” com o termo grego Ierousalëm, designação de Jerusalém não como lugar geográfico, mas de lugar sagrado do judaísmo.
Salvação em Lucas.
A salvação acontece com base nas entranhas da história da humanidade. Deus, pela encarnação que culmina em Jesus de Nazaré, assume as entranhas humanas para salvar todos e tudo. Infelizmente já faz parte do senso comum que salvação se refere apenas à "alma”. Perdeu-se a relação do corpo com a salvação. Diante disso é bom recordar que a palavra "salvação”, no seu sentido original, quer dizer livrar o ser humano de algum mal físico, moral ou político, ou de algum cataclismo cósmico; isso supõe resgate da integridade. Com referência ao acontecimento Cristo, resgatar a integridade do ser humano significa restabelecer sua relação inata com Deus, com os outros, com toda a criação e consigo mesmo. Não podemos esquecer que o credo cristão afirma a convicção na ressurreição da "carne”, não apenas da "alma”.
Salvação é um dos efeitos mais importantes do acontecimento Cristo, pelo menos na mentalidade de Lucas, no evangelho e em Atos dos Apóstolos. Ele é o único dos evangelistas sinóticos a chamar Jesus de "Salvador”(7). O melhor resumo que mostra o que é salvação é: "O filho do Homem veio buscar o que estava perdido e salvá-lo” (Lc 19,10).
Não podemos continuar pensando, segundo o senso comum, que salvação se refere somente a algo pós-morte e que não tem nada a ver com libertações na história. Na Bíblia, as categorias salvação e libertação são "equivalentes” e complementares, mesmo que alguns textos possam enfatizar mais a ideia de salvação, e outros, mais a ideia de libertação. Por exemplo, etimologicamente o nome Josué significa "o Senhor é libertação-salvação” (Nm 11,28); Josué é a versão hebraica do nome de Jesus. Este é versão aramaica. Logo, etimologicamente, Jesus é o novo Josué, aquele que liberta e salva, em um processo interdependente. Josué conduziu o povo na conquista da terra prometida. Jesus conduz o povo para a construção do Reino de Deus no mundo. Outro exemplo: o nome Oséias significa libertação-salvação (Nm 13,8). O profeta Oséias combateu com veemência a idolatria, libertando e salvando o povo.
Libertação-salvação faz parte do campo semântico dos verbos libertar, salvar, sarar, curar, resgatar, perdoar, reerguer, redimir, integrar, recuperar, incluir, apoiar e outros similares. Isso indica a inter-relação existente entre libertar e salvar: são duas faces da mesma medalha; inseparáveis como carne e unha. "Salvação” que não implica libertação real, concreta e corporal das pessoas é pseudossalvação.
Lucas não quer, em momento algum, espiritualizar a proposta do Evangelho de Jesus Cristo, mas inseri-la nos processos orgânicos de libertação. A salvação que Lucas defende não é aparente, como diz o povo: "Peruca em cabeça de careca”.
Belo Horizonte, MG, Brasil, 01 de abril de 2013.
Notas:
(1) Conzelmann sugere três períodos para a história da salvação:
- O tempo de Israel compreende o Primeiro Testamento, da criação do mundo até João Batista, inclusive (Lc 1,5–3,1) – (tempo do Pai).
- O tempo de Jesus compreende o Segundo Testamento, do início do ministério público de Jesus de Nazaré até a sua ascensão (Lc 3,2–24,51) – (tempo do Filho).
- O tempo da(s) Igreja(s), sob a perseguição, vai da ascensão até a parusia (Lc 24,52-53; At 1,3–28,31) (tempo do Espírito Santo).
Três passagens em Lc fundamentam esta divisão:
- Em Lc 16,16 aparece uma divisão em dois períodos: a lei e os profetas, até João. Daí em diante é anunciada a Boa-Nova do Reino de Deus, com a indicação do tempo de Jesus (cf. Lc 4,21).
- Em Lc 22,35-37 Jesus adverte aos doze para a hora em que terão de procurar bolsas, alforjes, mantos e espadas. No "tempo de Jesus” não havia necessidade de todas essas provisões, mas no "tempo da(s) Igreja(s) perseguidas (ecclesia pressa) a situação é muito diferente, profundamente conflitiva: repreensão, opressão e repressão eram "pão de cada dia” experimentado pelas comunidades cristãs (At 8,1b.4; 11,19).
- Em Lc 4,21 com o "hoje se cumpre...”.
(2) Cf. Lc 1,16.54.68.80; 2,25.32.34; 4,25.27; 7,9; 22,30; 24,21.
(3) Cf. Lc 2,11; 4,21; 5,26; 12,28; 13,32.33; 19,5.9.42; 22,34.61; 23,43.
(4) Colocamos Igreja no plural também para recordar que nasceram, organizaram-se e cresceram diversas Igrejas — Jerusalém, Samaria, Antioquia, Roma, Corinto, Tessalônica, Filipos, Éfeso, de Pérgamo, Filadélfia, Gálatas, Colossos, de Tiatira, Esmirna, Sardes, Laodicéia etc. Logo, não podemos pensar em uma única Igreja cristã primitiva, mas em uma grande diversidade de Igrejas cristãs primitivas que formavam uma grande unidade com base na grande diversidade entre elas.
(5) Cf. At 1,2.5.8.16; 2,4.17.18; 2,33.38; 4,8.25.31; 5,3.9.32; 6,6.5.10; 7,51.55; 8,15.17.18.19.29.39; 9,17.31; 10,19.38.44.45.47; 11,12.15.16.24.28; 13,2.4.9.52; 15,8.28; 16,6.7; 19,2.6; 20,23.28; 21,4.11; 28,25.
(6) Davi é recordado como um dos três reis bons, principalmente pela sua primeira fase. Ele uniu e organizou marginalizados e excluídos da sociedade e implementou um governo popular e democrático. A expressão "cidade de Davi” quer recordar o Davi da primeira fase, não o Davi corrompido pelo poder, no final do seu reinado.
(7) Em grego, sõtër, cf. Lc 2,11. Em Atos dos Apóstolos Lucas se refere a Jesus como Salvador mais duas vezes: At 5,31; 13,23.
FONTE: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&langref=PT&cod=74483

PAPA FRANCISCO

Evitar a tentação de regredir e do "progresso adolescente", adverte Francisco



Cidade do Vaticano (RV) – Não devemos ter medo da liberdade que o Espírito Santo nos dá: foi o que destacou o Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta, concelebrada pelo Cardeal brasileiro João Braz de Aviz.

“Não vim para abolir a lei”: o Pontífice desenvolveu a sua homilia partindo dessas palavras de Jesus aos discípulos e observou que este trecho evangélico segue o das bem-aventuranças, “expressão da nova lei” mais exigente do que a de Moisés.

Esta lei, acrescentou, é “fruto da Aliança” e não pode ser compreendida sem ela. Jesus, afirmou o Papa, “é a expressão da maturidade da lei”, e quando chegar à plenitude, é por obra do Espírito Santo:

“O caminhar por esta estrada comporta riscos, mas é a única estrada da maturidade, para sair dos tempos nos quais não estamos maduros. Neste caminho rumo à maturidade da lei, que vem com a pregação de Jesus, há sempre medo, medo da liberdade que o Espírito nos dá. A lei do Espírito nos faz livres!”

A lei do Espírito, disse ainda, nos leva num caminho de discernimento contínuo para fazer a vontade de Deus. Neste percurso, devemos estar atentos a duas tentações: a de regredir, porque nos sentirmos mais seguros, e a do “progresso adolescente”, que nos faz sair do caminho ao tentar englobar outros valores e outras leis.

“Como os adolescentes que querem ter tudo com o entusiasmo e acabam por escorregar... É quando a estrada está coberta de gelo e o carro derrapa e sai do caminho... Nós, neste momento da história da Igreja, não podemos nem regredir nem sair da estrada!”

A estrada é a da liberdade no Espírito Santo, que nos faz livres, no discernimento contínuo sobre a vontade de Deus. Peçamos ao Senhor, concluiu, “de prosseguir com a graça do Espírito Santo”.
(BF)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/12/evitar_a_tentação_de_regredir_e_do_progresso_adolescente,_advert/bra-700784
do site da Rádio Vaticano

PAPA FRANCISCO

O apelo do Papa no Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil



Cidade do Vaticano (RV) – Ao final da Audiência Geral, o Papa Francisco fez um apelo por ocasião do Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, que se celebra em 12 de junho.

O Pontífice fez uma referência especial à exploração das crianças no trabalho doméstico, definindo-o um “deplorável” fenômeno em crescimento constante, especialmente nos países pobres.

“São milhões os menores, principalmente crianças, vítimas dessa forma disfarçada de exploração que comporta também muitos abusos, maus-tratos e discriminações. Desejo vivamente que a comunidade internacional possa promover providências ainda mais eficazes para enfrentar essa autêntica chaga. Trata-se de uma verdadeira escravidão. Todas as crianças devem poder brincar, estudar, rezar e crescer, nas próprias famílias, em um contexto harmônico de amor e de serenidade. É um direito deles e um dever nosso. Uma infância serena permite às crianças olhar com confiança para a vida e para o amanhã. Ai de quem sufoca neles o deslanchar alegre da esperança!”

(BF)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/12/o_apelo_do_papa_no_dia_mundial_de_combate_ao_trabalho_infantil/bra-700709
do site da Rádio Vaticano

terça-feira, 11 de junho de 2013

PENSAMENTOS DE CHAMPAGNAT

DEVOÇÃO À EUCARISTIA

1 - É para nós que o divino Salvador fica dia e noite sobre os altares; é para que possamos recorrer a Ele em todas as nossas necessidades.
2 - Se soubéssemos quanto são proveitosas as visitas ao Santíssimo Sacramento, ficaríamos sem cessar prostrados diante do altar.
3 - Afastar-vos da comunhão porque sois tentados é ceder, sem resistência, a vitória ao demônio.
4 - A comunhão freqüente é o grande meio de se abrasar de amor por Jesus, de fazer grande progresso na virtude e de assegurar a salvação.
5 - É aproximando-se com freqüência do divino Salvador que corrigimos nossos defeitos, que nos tornamos piedosos e adquirimos as virtudes.
6 - A perda que sofreis faltando à santa missa ou à comunhão é uma perda irreparável, uma perda infinita.
7 - É graça insigne gozamos da presença d’Aquele que faz a beatitude dos anjos e dos santos.
8 - Crede-me, meus Irmãos, satã teme as vigílias, os jejuns, as orações, mas ele teme sobretudo a santa missa e a comunhão.
9 - A santa missa, a comunhão, a visita ao Santíssimo Sacramento, a divina Eucaristia numa palavra, eis a primeira e a mais necessária de todas as devoções.

 
10 - Quando é que teremos a felicidade de dispor de uma capela e de possuir Nosso Senhor? Espero que este favor nos será concedido um dia; mas então, saberemos nós apreciá-lo convenientemente’? (La Valla).
11 - Uma boa primeira comunhão é penhor de salvação, eu ousaria dizer sinal de predestinação, é um pé no céu.
12 - A comunhão nunca fica sem fruto quando se está isento de faltas mortais.
13 - Não deveis imaginar que não retireis fruto algum da comunhão porque não percebeis o progresso que fazeis na virtude.
14 - A comunhão serve pelo menos para vos conservar em estado de graça e aproximar-vos de Jesus, o que não é pouca coisa.
15 - A presença divina, embora velada para nós no Santíssimo Sacramento não é menos digna de nosso respeito e adoração.
16 - Não deveis nunca sair de uma casa onde se conserva o Santíssimo Sacramento sem pedir a bênção a Nosso Senhor. De volta a esta casa ou quando ides a uma paróquia, vossa primeira visita deve ainda ser ao Santíssimo Sacramento.
17 - Nada aflige tanto o Coração divino quanto a nossa ingratidão por um tal benefício (a Eucaristia), nossa indiferença em visitá-lo e em pedir-lhe suas graças.
18 - É precisamente porque sois imperfeitos que eu quereria ver-vos comungar amiúde, pois a Eucaristia é o meio mais eficaz para vos retirar da tibieza em que estais.
19 - Deixar de comungar sob o pretexto de que não se é bastante fervoroso ou que há faltas leves a se exprobrar, é reparar uma falta por outra maior.
20 - Os santos sabiam que Jesus Cristo é a fonte de todas as graças; também, quando tinham algum assunto difícil a tratar, recorriam ao Santíssimo Sacramento.
21 - Era mediante prolongados colóquios com Nosso Senhor que os santos convertiam os pecadores e obtinham êxito em tudo o que empreendiam para a glória de Deus.
22 - A comunhão freqüente é o grande meio de se abrasar de amor por Jesus, de fazer grandes progressos na virtude e de assegurar a salvação.

23 - A santa missa, a comunhão, a visita ao Santíssimo Sacramento, a divina Eucaristia numa palavra, eis a primeira e mais necessária de todas as devoções. É pela cruz e os sofrimentos que Jesus Cristo remiu as almas e nós pretendemos trabalhar na salvação delas pelas delícias, pelas satisfações da natureza? Com tais sofrimentos, será de estranhar que façamos tão pouco bem e que nosso ministério seja quase estéril?
FONTE: LIVRO PENSAMENTOS DE CHAMPAGNAT - IRMÃO FAUSTINO
 

A nova relação entre Irmãos e Leigos

Reunião da Rede Interamericana de Espiritualidade

11/06/2013: Canadá
O VIII Encontro da Rede Interamericana de Espiritualidade reuniu representantes das Províncias das Américas, de 18 a 24 de maio, em Montreal, no Canadá, para o aprofundamento e reflexões sobre a “nova relação entre Irmãos e Leigos”. O tema foi inspirado no segundo horizonte do XXI Capítulo Geral, realizado em 2009, que preconizava a fraternidade nessa interação, com a comunhão do carisma marista e o fortalecimento da espiritualidade, para o dinamismo da vida e missão do Instituto Marista.
Na mensagem ao grupo, o superior geral Ir. Emili Turú destacou a importância da relação entre Irmãos e leigos para a vitalidade das províncias. “É uma nova época para o carisma marista”, destacou .
Os integrantes da Rede tiveram momentos formativos com palestras, exibição de vídeos, atividades em grupo, trocas de experiências e partilha de boas práticas. 

Celebrando Marcelino Champagnat e jubileu de ouro

Maristas em Baucau

10/06/2013: Timor Leste
No dia primeiro de junho, cerca de 300 membros da Família Marista, amigos e representantes das organizações conduzidas pelos Maristas em Timor Leste, reuniram-se, na catedral de Baucau, para celebrar São Marcelino Champagnat e os 50 anos de marista do Ir. John Horgan.
Após a Eucaristia, os participantes foram para o salão paroquial, onde aconteceram discursos, danças e cantos em homenagem a São Marcelino e expressão de gratidão de Irmãos e leigos de Baucau pelo modo com que o Ir. John vive a sua consagração marista.
O Ir. John se vestiu com as roupas tradicionais do país, um presente que simboliza a estima do povo.

PAPA FRANCISCO

Francisco: "A riqueza da Igreja é anunciar o Senhor com gratuidade"



Cidade do Vaticano (RV) – O Evangelho deve ser anunciado com simplicidade e gratuidade: foi o que destacou o Papa Francisco na Missa desta manhã na Casa Santa Marta.

Na sua homilia, o Papa se inspirou na exortação feita por Jesus aos Apóstolos para anunciar o Reino de Deus: “Não leveis ouro, nem prata, nem cobre nos vossos cintos”. O Senhor quer que o anúncio seja feito com simplicidade, disse Francisco. Aquela simplicidade que “dá lugar ao poder da Palavra de Deus”. E indicou a “palavra-chave” para o anúncio: gratuidade.

“A pregação evangélica nasce da gratuidade, da surpresa da salvação. E aquilo que eu recebi gratuitamente, devo dar gratuitamente. E desde o início era assim. São Pedro não tinha uma conta no banco, e quando teve que pagar as taxas, o Senhor o mandou pescar no mar e encontrar a moeda dentro do peixe para pagar. Filipe, quando encontrou o ministro da economia da rainha Candace, não pensou: ‘Ah, que bom, façamos uma organização para apoiar o Evangelho, porque…’ Não! Não negociou com ele: anunciou, batizou e foi embora.”

O Reino de Deus “é um dom gratuito”, disse o Papa. E sublinhou que desde as origens da comunidade cristã, esta atitude ficou sujeita à tentação. Existe a tentação, por exemplo, de buscar força para além da gratuidade, enquanto a nossa força é a gratuidade do Evangelho. Na Igreja, advertiu, isso pode criar um pouco de confusão, pois o anúncio pode parecer proselitismo, e este não é o caminho. O Senhor “nos convidou a anunciar, não a fazer proselitismo”.

“Tudo é graça. Tudo. E quais são os sinais quando um Apóstolo vive esta gratuidade? São muitos, mas ressalto dois: primeiro, a pobreza. O anúncio da Evangelho deve ser feito no caminho da pobreza. O testemunho desta pobreza: não tenho riquezas, a minha riqueza é somente o dom que recebi, Deus. A gratuidade é a nossa riqueza! E esta pobreza nos salva de nos tornarmos organizadores, empreendedores... Devem-se levar avante as obras da Igreja, e algumas são um pouco complexas; mas com coração de pobreza, não com coração de investimento ou de empresário, não?”

A Igreja – repetiu o Pontífice – “não é uma ong: é outra coisa, mais importante, e nasce desta gratuidade. Recebida e anunciada”. E a pobreza “é um dos sinais desta gratuidade”.

Outro sinal, acrescentou o Papa, “é a capacidade de louvor: quando um apóstolo não vive esta gratuidade, perde a capacidade de louvar o Senhor”. Louvar o Senhor, de fato, “é essencialmente gratuito, é uma oração gratuita”:

“Estes são os dois sinais do fato de que um apóstolo vive esta gratuidade: a pobreza e a capacidade de louvar o Senhor. E quando encontramos apóstolos que querem fazer uma Igreja rica e uma Igreja sem a gratuidade do louvor, a Igreja envelhece, a Igreja se torna uma ong, a Igreja não tem vida. Peçamos hoje ao Senhor a graça de reconhecer esta gratuidade: ‘do receber e do dar’. Reconhecer esta gratuidade, dom de Deus. E também nós prosseguirmos na pregação evangélica com esta gratuidade.”
(BF)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/11/francisco:_a_riqueza_da_igreja_é_anunciar_o_senhor_com_gratuidade/bra-700393
do site da Rádio Vaticano

sábado, 8 de junho de 2013

Drogas, equívocos e soluções


Frei Betto
Adital



O fenômeno das drogas atinge todos nós. Não há exceção. Ainda que você não tenha um dependente químico na família, o perigo reside no assalto. Nada pior do que ser assaltado por uma pessoa drogada. Qualquer gesto, por mais inocente, pode representar na cabeça dele uma reação que merece a morte.
Não é apenas nas ruas que a existência de grande número de viciados preocupa. Em todas as
classes
sociais há quem seja dependente de drogas. Não somente das proibidas, como cocaína e ópio, mas também das que se podem adquirir em farmácias (com receitas falsas) ou em hospitais (por desvio). Nos dois casos, uma grana extra faz do funcionário um corrupto, e a droga de tarja preta chega fácil às mãos do usuário.
Famílias de classes média e alta conhecem a tortura do que significa ter um parente dependente químico. Por sua vez, o poder público, incomodado com a paisagem urbana das cracolândias, advoga a internação compulsória. Medida, aliás, adotada por certas famílias com recursos para pagar internação em clínicas de (suposta) recuperação.
Restam as perguntas que não querem calar, mas que famílias e poder público insistem em abafar: o que induz uma pessoa a consumir drogas? Qual a solução para o problema?
Se amanhã hóstia de igreja, que é oferecida gratuitamente, virar grife, terá preço de mercado, como jeans esfarrapados vendidos hoje em lojas sofisticadas. Ocorre que só quem comunga por razões religiosas consome hóstias. Do mesmo modo, o narcotráfico –que deve ser combatido com todo rigor – só existe porque há um amplo e voraz mercado de consumo.
O que leva uma pessoa a consumir drogas é a carência de autoestima. Sentindo-se inferior, desamada, pressionada pelo estresse competitivo, ela encontra nas drogas o recurso para alterar seu estado de consciência. Assim, se sente bem melhor do que ao enfrentar, de cuca limpa, a realidade. Sobretudo com certas drogas, como a cocaína, que imprimem sensação de onipotência.
Todo drogado é um místico em potencial. Sabe que a felicidade é uma experiência da subjetividade. Nada fora do ser humano é capaz de trazer felicidade. Dê a um dependente químico barras de ouro para que abandone a droga e inicie vida nova. Ele logo tratará de vendê-las para comprar drogas.
A droga decorre de nossa escala de valores. Há nisso forte componente educativo. Se um jovem é educado priorizando como valores riqueza, sucesso, poder e beleza, tende a se tornar vulnerável às drogas. Elas funcionarão, periódica e provisoriamente, como cobertor ao frio de suas ambições frustradas.
Alerto meus amigos que têm filhos pequenos: deem a eles muita atenção e carinho, especialmente até que completem 12 anos. Internações podem ser úteis em situações de crise ou surto. Nunca como solução. Todo drogado grita em outra linguagem: "Eu quero ser amado!”
E o poder público, o que fazer diante desta epidemia química? Internação compulsória? Funciona provisoriamente como limpeza da paisagem urbana. Em um país como o nosso, em que o sistema de saúde é tão precário, difícil acreditar que existam clínicas de internação em número suficiente para atender todos os dependentes e que tenham suficiente pedagogia de recuperação.
A solução talvez não seja fácil para aqueles que já romperam vínculos familiares. Contudo, há,
sim
, solução preventiva se o poder público cumprir seu dever de assegurar a todas as crianças e jovens educação de qualidade. Um jovem que sonha ser um profissional competente jamais entrará nas drogas se tiver educação garantida, sobretudo centrada em valores altruístas, solidários, espirituais.
Morei cinco anos em favela. Aprendi que nenhum traficante deseja que seu filho siga os seus passos. O sonho é que o filho seja doutor. Portanto, no dia em que o poder público levar aos ninhos do tráfico mais escolas, música, teatro, academias de ginástica, bibliotecas, e menos batidas policiais e balas "perdidas”, teremos menos viciados e traficantes.
Portugal ensinou muito ao Brasil: o idioma, o prazer do queijo, a religiosidade cristã, a arte sacra, o gosto pela literatura etc. É hora de aprendermos também com Portugal como lidar com as drogas. Lisboa é a capital europeia com menor índice de homicídios.
[Frei Betto é escritor, autor do
romance
sobre drogas "O Vencedor” (Ática), entre outros livros. http://www.freibetto.org/- twitter:@freibetto.
Copyright 2013 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)].
FONTE:http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=75730

‘A fome existe devido a escolhas políticas’


Ibase
Adital
Por Camila Nobrega
Do Canal Ibase

Sementes. Foto: Consea
Em meados de maio, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, sigla em inglês) gerou grande polêmica, ao sugerir a inclusão de insetos na dieta alimentar de populações ao redor do mundo, para reduzir a fome. Segundo o órgão, essa seria uma saída para driblar o crescimento populacional, já que insetos, como gafanhotos e formigas, estariam sendo "subutilizados” na alimentação de pessoas. O argumento se baseia na escassez de comida no mundo. Mas será que o problema é mesmo falta de alimentos? "Não”. Essa foi a resposta do especialista em segurança alimentar Francisco Menezes, ex-presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e pesquisador do assunto no Ibase há mais de 20 anos. Em entrevista concedida pouco antes de Menezes embarcar para Portugal, onde ficará por seis meses, ele foi taxativo ao dizer: "A fome é sempre uma escolha política. As pessoas passam fome pelo poder de escolha de outros”. Ou seja, o desafio é promover o acesso ao alimento, e não exatamente produzir mais. O pesquisador adiantou que esse seria um dos temas do 7º Encontro do Fórum Nacional de Segurança Alimentar, que estou acompanhando aqui em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, desde o início da manhã desta terça-feira.
Francisco Menezes,
ex-presidente do Consea.
Foto: MDS

CANAL IBASE: A FAO divulgou em meados de maio um relatório afirmando que insetos podem ser um fonte de alimentação para populações que passam fome. O que o senhor achou desta afirmação, replicada por jornais e outras mídias no mundo inteiro?

Charge de Carlos Latuff sobre relatório da ONU
FRANCISCO MENEZES: Todos os pesquisadores da área ficaram indignados com este estudo. Acho que temos que ter cuidado ao tornar pública esta indignação, porque é preciso debater qual o principal objetivo deles com isso. Mas, de qualquer forma, foi uma infelicidade. As pessoas têm que ter acesso à alimentação e ponto. Pensar em alimentá-las com restos é completamente descabido. Há populações que já comem insetos, mas é outra história, faz parte da cultura delas. Introduzir esse consumo é levar o olhar para uma perspectiva errada. Alimento há, o que falta é acesso.
CANAL IBASE: De fato, o alimento só pode ser acessado atualmente por meio da compra ou do plantio. Quando não há dinheiro ou terra, a pessoa está excluída desse sistema, certo?
MENEZES: Exato. As corporações hoje tomam conta da maior parte dos alimentos produzidos no mundo e elas lidam com a comida como uma mercadoria qualquer. Embora o alimento tenha sido reconhecido como um direito básico dos brasileiros em 2010 (quando foi incluído na constituição do país), na prática pouca coisa mudou. Mas é preciso entender o sistema. Se as empresas do setor trabalham com a alimentação como mercadoria, é porque há permissão do estado para isso. O poder público permite que as corporações, nacionais e internacionais, lucrem com um direito tão fundamental à vida de qualquer pessoa.
CANAL IBASE: Por isso o senhor afirma que a fome é uma questão política?
MENEZES: Sim, certamente ela é. Isso não é novidade, mas nunca foi assumido de verdade. Josué de Castro (médico e geógrafo, autor do livro "Geografia da Fome”) já dizia que deixar as pessoas morrerem de fome é uma escolha. Ele estava completamente certo. É um problema ligado à história da humanidade. A segurança alimentar, por exemplo, é um termo herdado dos militares, que foi transformado e usado pelo movimento social. Na guerra, cortar a alimentação é uma das maiores armas que se pode ter. Pode parecer dramático, mas, se você for pensar com cuidado, as corporações também têm nas mãos todos aqueles que não produzem seu próprio alimento. O preço do alimento mexe com a estrutura de uma sociedade.
CANAL IBASE: Há situações de fome extrema no Brasil hoje que podem ser exemplificadas como uma escolha política?
MENEZES: Sim. Os indígenas são exemplo disso. A não demarcação de terras indígenas é um fator que leva à morte. Não olhar para isso é uma escolha do poder público, porque, embora esse fenômeno seja pouco falado, milhares pessoas, especialmente crianças, morrem de inanição na beira de estradas. Isso ocorre por falta de terra, pois etnias foram expulsas de seus territórios. O caso dos Guarani-Kaiowá (que veio à tona ano passado após a divulgação de uma carta anunciando um suicídio coletivo) é um exemplo disso. A Justiça leva seu tempo, mas enquanto isso não se define as pessoas morrem.
CANAL IBASE: Além da inclusão das pessoas no sistema econômico, com geração de renda como possibilidade para comprar o próprio alimento, o senhor acha que a agricultura familiar é uma saída?
MENEZES: A agricultura familiar é uma das soluções. A segurança alimentar só será atingida com uma série de políticas conjuntas. É preciso reconhecer que o governo atual, desde o início do governo Lula, na verdade, avançou bastante nesse sentido. Hoje, 30% da alimentação escolar tem que ser comprada de pequenos produtores, o que representa um grande mercado que alimenta 48 milhões de crianças por dia. Mas há muito a se fazer. A agricultura familiar continua em risco.
CANAL IBASE: Por quê?
MENEZES: Atualmente, a agricultura familiar ainda é responsável pela maior parte dos alimentos de consumo das famílias. A estimativa é que ela represente 70% da alimentação das famílias brasileiras. Mas o agronegócio ameaça a agricultura familiar. Como as pessoas buscam uma forma de alimentação cada vez mais rápida, mais prática, as compras são feitas em grandes mercados, e muitas famílias buscam grandes marcas do setor alimentício. Não se pode dizer que isso é saudável, mas é o que ocorre. As pessoas buscam enlatados, comidas congeladas e em saquinhos. As grandes empresas estão entrando na casa de cada vez mais gente. O que pouco se discute é a queda na qualidade dessa alimentação.
CANAL IBASE: O encontro do Fórum de Segurança Alimentar vai tratar esta questão?
MENEZES: Essa é uma das principais questões. É preciso ampliar o acesso ao alimento, isso é um ponto-chave. Mas não se pode dizer que qualquer alimento tem o mesmo teor nutricional. Aí mora a questão, a qualidade da alimentação. É preciso não só comer, mas comer bem.
[As principais notícias sobre o debate estarão nosite do evento. O Canal Ibase também vai publicar notícias diretamente de Porto Alegre e no Facebook do Ibase].
FONTE:http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=75744

PROVÍNICIA DA AMÉRICA CENTRAL

Elementos e orientações para a imagem institucional marista

08/06/2013: Guatemala
Com grande expectativa, começou a distribuição do documento “Presença e Identidade: Elementos e Orientações da Comunicação Institucional Marista” na Província da América Central. Este é o primeiro documento da Província que dá indicações sobre a “nova” imagem institucional, que nasce da necessidade de inovar na área das comunicações para realizar um serviço de evangelização mais eficaz.
O documento é uma iniciativa da Comissão Provincial de Comunicações e do Escritório de comunicações marista e apresenta as orientações essenciais que guiarão a instituição ao objetivo almejado.
Além disso, pretende-se fazer com que a ‘imagem’ seja uma plataforma com 4 eixos de atuação: a inovação na área das comunicações; a identidade e pertença; a comunicação ao serviço da evangelização, educação e promoção humana e solidária; e as publicações.

PAPA FRANCISCO:

Aprendamos com Maria a ler a vida à luz da Palavra de Deus



Cidade do Vaticano (RV) - "Como Maria, aprendamos a acolher e guardar a Palavra de Deus" - foi o que disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã deste sábado na Casa Santa Marta, no Vaticano, memória do Imaculado Coração de Maria.

Participou da missa um grupo de colaboradores da Caritas Internacional acompanhado pelo Secretário-Geral desse organismo, Michel Roy.

"A admiração é mais que alegria. É um momento em que a Palavra de Deus é semeada em nosso coração", disse Francisco. O Papa ressaltou "que não se pode viver sempre na admiração, ela deve ser levada na vida com a custódia. Foi o que Maria faz, guardava a Palavra de Deus", disse o Santo Padre acrescentando:

"Guardar a Palavra de Deus: o que isso significa? Eu recebo a Palavra, depois pego uma garrafa e coloco a Palavra na garrafa e a conservo? Não. Guardar a Palavra de Deus significa que o nosso coração se abre, está aberto para aquela Palavra como a terra se abre para receber as sementes. A Palavra de Deus é uma semente que deve ser semeada. Jesus nos diz o que acontece com a semente: algumas caem ao longo do caminho, mas vêm as aves e as comem. Esta palavra não foi guardada, esses corações não souberam recebê-la."

"Outras caem em terra pedregosa e a semente morre. Jesus nos diz que essas pessoas não sabem guardar a Palavra de Deus, porque não são constantes: quando vem a tribulação se esquecem. A Palavra de Deus caiu numa terra não preparada, não custodiada, onde existem espinhos. E o que são os espinhos? Jesus fala de apego à riqueza, aos vícios. Conservar a Palavra de Deus significa meditar sempre o que nos diz esta Palavra com o que acontece na vida. E isso Maria fez, meditava e fazia a comparação. Este é um grande trabalho espiritual", disse ainda Francisco ressaltando:

"João Paulo II dizia que Maria tinha, com este trabalho, um cansaço especial em seu coração: tinha o coração afadigado. Mas isto não é um problema, é um esforço, é um trabalho. Guardar a Palavra de Deus requer este trabalho: o trabalho de buscar o que significa isto neste momento, o que o Senhor quer me dizer neste momento, esta situação relacionada com a Palavra de Deus como se entende. Ler a vida com a Palavra de Deus. Isso significa guardar".

"Mas também lembrar", frisou o pontífice. "A memória é uma custódia da Palavra de Deus. Ela nos ajuda a conservá-la, a recordar tudo o que o Senhor fez em minha vida", disse Francisco. Segundo o Papa, "a memória nos lembra todas as maravilhas da salvação em seu povo e no meu coração. A memória guarda a Palavra de Deus", disse.

O Santo Padre concluiu sua homilia convidando a pensar "sobre como guardar a Palavra de Deus, como conservar essa admiração para que as aves não a comam e os vícios não a sufoquem".

"Faremos bem em nos perguntar: Com as coisas que acontecem na vida, o que o Senhor me diz com a Sua Palavra, neste momento? Isto se chama guardar a Palavra de Deus, porque a Palavra de Deus é a mensagem que o Senhor nos dá a cada momento. Devemos guardá-la com a nossa memória e também com a nossa esperança. Peçamos ao Senhor a graça de receber a Palavra de Deus e guardá-la, e também a graça de ter um coração que se esforça em conservá-la", concluiu o Papa Francisco. (MJ)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/06/08/papa_francisco:_aprendamos_com_maria_a_ler_a_vida_à_luz_da_palavra_d/bra-699631
do site da Rádio Vaticano

quinta-feira, 6 de junho de 2013




6 DE JUNHO: FESTA DE SÃO MARCELINO CHAMPAGNAT
Quinta-feira - 6 de junho de 2013
                                                  
Nesta quinta-feira, 6 de junho, celebra-se o Dia de São Marcelino Champagnat. Nascido no dia 20 de maio de 1789, na França, Champagnat era um homem cujo pensamento ia além das ideias educacionais do seu tempo, demonstrando ser um excepcional educador da juventude.

Champagnat nasceu em uma família cristã, assim que a Revolução estourou na França. Sua mãe e sua tia despertaram nele uma fé sólida e a devoção à Maria. Seu pai o ensinou sobre o gosto pelo trabalho e pelo senso de responsabilidade. Aos 14 anos, quase sem nenhuma escolaridade, Marcelino decide entrar para o seminário e inicia uma etapa de estudo e crescimento pessoal e espiritual.

Impactado pelo abandono cultural e espiritual da sociedade naquela época, sentiu-se impulsionado a fundar uma Instituição para fomentar a educação de crianças e jovens, transformando-os de simples camponeses em educadores.

Após sua ordenação sacerdotal, em 1816, Champagnat foi designado à cidade de La Valla, na França. Lá fundou a primeira comunidade Marista – Irmãos de Maria – na qual jovens de 15 a 18 anos aprenderam a leitura, a escrita, a aritmética, a oração e a vivência do Evangelho no cotidiano.

Contemplando aspectos da vida do fundador, firmada nos valores de simplicidade, amor ao trabalho, justiça, presença significativa, espiritualidade e espírito de família, nascia a Instituição Marista. Uma instituição sonhada e construída pelas mãos de São Marcelino Champagnat.

Quando morreu, em 6 de junho de 1840, sua "Família Marista" já contava com 290 Irmãos atuando em 48 escolas primárias. Atualmente, o trabalho de educação e evangelização é realizado em 79 países e atende aproximadamente 500 mil crianças e jovens.

Em 1999, o Papa João Paulo II canonizou Marcelino Champagnat, reconhecendo-o como santo da Igreja Católica, padroeiro da educação e dos professores. Sua festa é celebrada no dia 6 de junho, data de seu falecimento.

Toda a obra Marista no mundo deve-se ao sonho e ao trabalho de um homem que, mesmo em meio às dificuldades, lutou pela causa em que acreditava. Em nome desta causa celebremos juntos a Festa de São Marcelinho Champagnat e peçamos que ele continue abençoando esta grande obra.

Oração à ChampagnatSão Marcelino, rogai por nós; fazei-nos perseverantes no bem; fazei frutificar o trabalho de nossas mãos em favor do evangelho, para que sigamos sempre os passos de Jesus e de Maria. "Tudo a Jesus por Maria, Tudo a Maria para Jesus."
Amém.

Encontro Internacional de Jovens Maristas – Rio de Janeiro, julho 2013

Música tema do EIJM 2013 | CHANGE

06/06/2013: Brasil
EIJM | 17-21 julho 2013
A UMBRASIL promoveu o um concurso para a escolha da música tema para o EIJM 2013 | CHANGE e recebeu oito composições das Províncias do Brasil Marista para a seleção final.
As músicas foram selecionadas pela Comissão Organizadora do EIJM e por uma comissão técnica composta por professores de música do Colégio Marista São José Tijuca e São José da Barra.
A música eleita foi Let’s Change the world, de autoria de Cristiano Ramos Pereira.
O encontro será realizado no Rio de Janeiro, de 17 a 21 de julho, antes da Jornada Mundial da Juventude. Veja outros detalhes.
Let's Change the world (Música tema do EIJM 2013 | CHANGE)
Cristiano Ramos Pereira
Baixar MP3 - Click sobre o link com a parte direita do mouse + Salvar destinação como
Música MP3 | Base MP3 | Letra da música
Let's Change the world



EIJM | 17-21 julho 2013

fonte: http://www.champagnat.org/400.php?a=6&n=2834

O Ir. Crisanto e seus 67 companheiros mártires

Aprovação da Causa de Beatificação

 
04/06/2013: Casa Geral
Com imensa satisfação comunicamos que recebemos da Sagrada Congregação para as Causas dos Santos o DECRETO de beatificação do Ir. Crisanto e de seus 67 companheiros mártires, firmado pelo Papa Francisco. Serão BEATIFICADOS no próximo dia 13 de outubro, em Tarragona, Espanha.
Agradeçamos a Deus, a Maria, a Champagnat e a nossos Irmãos já beatificados em 2007, esta graça – para a Igreja e para nosso Instituto – de contar com nova plêiade de mártires, modelos e testemunhas da fé.
Convido-os a terem presente, na oração, o Ir. Gabriele Andreucci e colaboradores, por todo seu trabalho na elaboração da Positio dessa Causa.
________________________
Ir. Luis Jorge Flores Aceves, Postulador Geral
Leia mais no site do Vaticano:  http://www.vis.va

quarta-feira, 5 de junho de 2013

6 de junho - Festa de São Marcelino Champagnat

Marcelino Champagnat

1789-1840

Marcellin Champagnat - Goyo
 
São Marcelino Champagnat, fundador do Instituto dos Irmãos Maristas, apaixona-se por Deus e se entrega com entusiasmo a favor das crianças e jovens, especialmente mais necessitados. Uma comunidade internacional de irmãos continua hoje em dia seu sonho.
Quando vê crianças e jovens sem instrução nem catecismo, exclama: “Necessitamos irmãos”. E a 2 de janeiro de 1817 inicia com dois jovens o projeto do Instituto dos Irmãozinhos de Maria.
O papa João Paulo II canoniza Marcelino no dia 18 de abril de 1999 na praça São Pedro do Vaticano e o reconhece como santo da Igreja universal.
 

Brasas ardentes, testemunhas da fé

Carta do Superior Geral, Ir. Emili Turú

03/06/2013: Casa Geral
Por ocasião da festa do fundador do Instituto Marista, Marcelino Champagnat, no dia 6 de junho, o Ir. Emili Turú, Superior Geral dos Irmãos Maristas, uniu a sua tradicional mensagem, enviada nesta data, com a comunicação da notícia da iminente beatificação de 66 Irmãos e 2 Leigos maristas mártires em Espanha. Hoje publicamos no site essa carta, enviada a todos os Irmãos e Leigos Maristas.
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6 de junho

Festa de São Marcelino Champagnat no Twitter

05/06/2013: Casa Geral

FONTE: http://www.champagnat.org/400.php?a=6&n=2833
Nasceu na Espanha a iniciativa de promover, para o dia 6 de junho, festa do nosso fundador, uma campanha no Twitter que promova as ideias de Marcelino Champagnat através da troca de mensagens com frases que lembrem o carisma marista.
Para que esse evento ganhe importância nessa rede social é necessário incluir nas mensagens os hashtags (#)  “#champagnat” e/ou “#Maristas”.
Convidamos a todos a participar dessa iniciativa.
Abaixo você pode ver as últimas mensagens enviadas pelos inscritos em Twitter que usaram o hasthtag “#Champagnat”
Por Padre Geovane Saraiva*

Na Semana do Meio Ambiente é importante recordar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ficou conhecida também como Rio+20, realizada entre os dias 13 e 22 de junho de 2012, na cidade Rio de Janeiro, considerado o maior evento já realizado, cujo objetivo foi discutir a renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável.

Vivemos em uma terra, com tudo que ela contém, ainda marcada pelo sofrimento, gemendo com as dores do parto (cf. Rm 8, 22), pela destruição e saque, fruto do capricho, da ação fútil e inconsequente do homem. Daí o desafio de não só pensar e refletir sobre essa triste realidade, mas decididamente em nome de Deus, a descruzar os braços e fazer a nossa parte.

O Papa Francisco na missa inaugural de seu pontificado, aos 19 de março de 2013, disse que o verdadeiro poder de um Papa é o “serviço humilde, concreto e rico de fé” e que “não devemos temer a bondade e a ternura”. Também falou sobre a necessidade de “respeitar o meio ambiente em que vivemos e todas as criaturas de Deus. Isso significa proteger as pessoas, e demonstrar que nos importamos com cada um de nós, especialmente as crianças, os velhos, os necessitados, que muitas vezes são os últimos em quem pensamos”.

Hoje, mais do que nunca, temos que reconhecer a forte presença de Deus, na vida existente no planeta, vida muitas vezes não valorizada e mal cuidada, extremamente comprometida. Deus quer abrir a nossa mente e coração diante dos gritos, dores e gemidos da terra, grande casa e mãe, onde se encontram: “rios e mares, antes gigantescos úteros de vida, que vêm sendo esterilizados pela poluição industrial, esgotos, sujeira produzida pelo ser humano. Esquece-se que a água, fonte de vida, transforma-se facilmente em uma das piores fontes de morte, ao transmitir doença. Por ela navegam germes de morte até os confins da terra” (Pe. J. B. Libânio).

Temos o orgulho de possuir, no nosso querido Brasil, a maior floresta tropical e a maior biodiversidade do mundo. Entretanto, toda essa riqueza está ameaçada pela destruição da floresta e de outros ecossistemas, por grandes projetos, pela expansão de monoculturas da soja e da cana de açúcar e pelo crescimento da agroindústria ou agronegócio, de um modo pedratório.

O mundo deveria ser uma casa pródiga, a oferecer a criatura humana, e aos demais seres vivos da terra, todas as condições: crescimento, sobrevivência e plena realização. Um mundo harmonioso, em que todos vivessem de acordo com a vontade do seu Criador e Pai. Para nós que temos fé, a Sagrada Escritura, nos leva a louvar a grandeza e a bondade de Deus, Senhor de um mundo tão rico, vasto e belo. Os livros dos Provérbios e da Sabedoria exaltam grandeza do próprio Deus, presente e oculto nas maravilhas da natureza (cf. Pr 8, 22-31; Sb 13, 1-3). Mas a exploração desenfreada e gananciosa que o homem realiza, nas suas ações, no que diz respeito às madeireiras, mineradoras, fazendas e grandes empresas transnacionais, é de fato para destruir todo esse patrimônio, que é de toda a humanidade, que é desafiada a proteger e conservar.

Sabemos e temos consciência de que a obra de Deus é uma “casa” maravilhosa, cheia de beleza e providência, prodígio divino, que devemos contemplar e louvar. “E Deus viu que tudo que tinha feito era muito bom” (Gn 1,10). Face à gravidade de toda realidade ecológica, na sua crescente devastação, nasce uma indignação ética, tendo sua origem na luta contra a poluição do ar e da água. Urge pensar na criação, com uma nova mentalidade espiritual, que se segure e tenha seu fundamento no Evangelho e na pessoa de Jesus Cristo.

Ao mesmo tempo em que estamos abertos ao diálogo, indo ao encontro do Sagrado, em todas as suas expressões ou confissões que revelam e manifestam o sentido da transcendência, na religiosidade de todas as raças e de todos os povos da terra. Temos consciência que nos dias de hoje, o nosso modo de evangelizar deve ser o do consenso, de que todas as raças, culturas e religiões devem ser respeitadas e valorizadas. Eis que somos chamados a responder esses grandes desafios através da nossa fé no Deus único e verdadeiro.

*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal – Pároco de Santo Afonso. Email: geovanesaraiva@gmail.com

sábado, 1 de junho de 2013

Educação inclusiva

Colégios para meninos em Likuni

01/06/2013: Malauí
Há uma boa proposta de educação inclusiva na Escola Secundária em Likuni, Malávi, onde estudam meninos. Até agora foi sempre dito, desde os tempos dos missionários, que a nossa perspectiva educacional partia do gênero das crianças: escolas masculinas e escolas femininas. Os estudantes internos do nosso colégio, meninos, vem de longe, com bons méritos, e as crianças pobres que estão ao nosso redor têm sido rejeitadas porque não alcançam o nível dos outros estudantes.
Há algum tempo estamos promovendo uma educação inclusiva, livre do que chamamos de princípios de gêneros. Essa é a razão pela qual é possível ver, na foto, algumas meninas. É uma nova meta e os resultados positivos já se veem.
A cultura do Malávi, durante muito tempo, favoreceu a educação dos meninos em detrimento daquela das meninas. Às mulheres cabia o trabalho doméstico. Todavia, o novo projeto de educação que queremos
visa
dar chance igual à mulher. As instituições maristas no Malávi, exceto a escola secundária que ainda trabalha apenas com meninos, já atuam essa mudança.

Estamos sonhando que venha logo o dia em que a escola seja um lugar melhor e ajude tanto meninos quanto meninas a criar o próprio futuro.
________________
Simeon Banda

Província dos Estados Unidos

Encontro nacional de líderes maristas

31/05/2013: Estados Unidos
No dia 27 de abril, os diretores e outros líderes das obras maristas nos Estados Unidos realizaram um encontro de formação na Marist Hight
School
em Bayonne, New Jersey. Estavam presentes as seguintes obras: Camp Marist, Archbishop Molloy, Central Catholic, Columbus, Guadalupe Middle School, Marist Bayonne, Marist Chicago, Mount St. Michael, Roselle Catholic, St. Joseph Academy, St. Joseph Montvale e St. Agnes. O Ir. Ben Consigli, Provincial dos Estados Unidos e os Conselheiros provinciais participaram do encontro.

O seminário abordou a questão da liderança e o seu papel nas missões Maristas e Católicas, sublinhando a identidade de cada instituição. Houve também um fórum de discussão com o Governo Provincial sobre o papel do Irmão Marista como responsável de entidades, além de mesas redondas sobre finanças e como angariar fundos (fundraising).
O encontro terminou com uma missa e a janta.
Na avaliação da jornada, os líderes agradeceram pelo encontro e pela oportunidade de participar nas obras da Província. Houve unanimidade em pedir que, no futuro, outros encontros como esse sejam realizados.

PAPA FRANCISCO

Papa apresenta Maria como mulher da "escuta, decisão e ação"



Cidade do Vaticano (RV) – Papa Francisco presidiu, hoje à noite, na Praça São Pedro, diante da Basílica Vaticana, à solene celebração Mariana, por ocasião da conclusão do mês de maio, dedicado a Maria.

O Cardeal Ângelo Comastri, Vigário Geral de Sua Santidade para a Cidade do Vaticano e Arcipreste da Basílica de São Pedro, rezou a oração do Terço com os numerosos fiéis presentes.

Durante a oração mariana, a estátua de Nossa Senhora foi levada em procissão pela Praça São Pedro. O Santo Padre participou, desde o início da oração mariana, no patamar da Basílica Vaticana.

Ao término da oração mariana, Papa Francisco fez uma meditação, percorrendo alguns acontecimentos do caminho de Jesus, nossa salvação. Neste caminho, disse, fomos acompanhados por Maria, nossa Mãe, que nos conduz a seu Filho Jesus.

Hoje, dia em que celebramos a festa da Visitação da Beata Virgem Maria à sua prima Isabel, o Santo Padre falou sobre este mistério, que nos mostra o modo com que Maria enfrenta seu caminho, com grande realismo, humanidade, concretude. E destacou:

“Três palavras sintetizam o comportamento de Maria: escuta, decisão, ação; palavras que indicam um caminho também para nós, diante do que o Senhor nos pede na vida”.
Ao explicar o primeiro aspecto do comportamento de Maria, “escuta” o Papa disse que Maria soube ouvir a Deus. Não se trata de um simples “ouvir” superficial, mas de atenção, acolhida e disponibilidade para com Deus. Ela lê os acontecimentos da sua vida, vai a fundo, e colhe seu significado. E acrescentou:

“Isto vale para nossa vida: escuto a Deus, que nos fala, e escuto também a realidade diária, atenção às pessoas, aos fatos, porque o Senhor está à porta da nossa vida e bate de muitos modos, colocando sinais em nosso caminho. Cabe a nós percebê-los. Maria é a Mãe da escuta”.

A seguir, o Santo Padre explicou o segundo aspecto do comportamento de Maria: “decisão”. Ela não vive da “pressa”, com ânsia, tampouco se detém na reflexão: ela vai mais além: “decide”. Maria não se deixa arrastar pelos acontecimentos, não hesita em decidir. Nas núpcias de Cana, por exemplo, podemos notar seu realismo, humanidade, concretude, diante dos fatos e aos problemas. Por isso, se dirige ao seu Filho para Ele intervir. E o Papa ponderou:

“Na vida é difícil tomar decisões. Muitas vezes, procuramos adiá-las e deixar que os outros decidam por nós; muitas vezes, preferimos deixar-nos arrastar pelos acontecimentos. Mas, Maria se coloca à escuta de Deus, reflete e procura compreender a realidade e decide confiar totalmente n’Ele”.

Por fim, Papa Francisco se deteve no terceiro aspecto do comportamento de Maria: “ação”. Ele se põe em viagem e vai depressa visitar sua prima Santa Isabel. Apesar das dificuldades e das críticas, ela não se detém diante de nada e “parte depressa”.

Quando Maria descobre o que Deus queria realmente dela, ou seja, o que ela devia fazer, parte “imediatamente”. Ela sai de casa e de si mesma, por amor, carregando no seu seio o dom mais precioso: seu Filho Jesus.

O Papa concluiu sua meditação, convidando os fiéis presentes a seguirem o exemplo de Maria, levando, como ela, o que temos de mais precioso: Jesus e o seu Evangelho, mediante a palavra e o testemunho concreto da nossa ação. Enfim, partindo dos três aspectos do comportamento de Maria “escuta, decisão, ação” pronunciou a seguinte oração a Nossa Senhora:

“Maria, mulher da escuta, abri nossos ouvidos; fazei com que saibamos ouvir a Palavra do vosso Filho Jesus entre as tantas palavras deste mundo; fazei que saibamos perceber a realidade em que vivemos; ouvir as pessoas que encontramos, especialmente aquela pobre, necessitada, em dificuldade.Maria, mulher da decisão, iluminai as nossas mentes e os nossos corações, para que saibamos obedecer a Palavra do vosso Filho Jesus, sem hesitação; dai-nos a coragem de decidir, de não nos deixar arrastar pelos que tentam orientar a nossa vida.Maria, mulher da ação, fazei que as nossas mãos e os nossos pés se movam “depressa” em direção aos outros, para que possamos levar-lhes a caridade e o amor do vosso Filho Jesus; para levarmos, como vós, ao mundo a luz do Evangelho. Amém

Ao término da celebração mariana de conclusão do mês de maio, mês dedicado a Maria, Papa Francisco se despediu dos fiéis e a todos concedeu a sua Bênção Apostólica. (MT)

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/05/31/papa_apresenta_maria_como_mulher_da_escuta,_decisão_e_ação/bra-697384
do site da Rádio Vaticano

No Papado de Francisco, a reflexão contínua dos franciscanos. Ouça


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Cidade do Vaticano (RV) - No último dia 23 de maio, a Prefeitura da Casa Pontifícia anunciou que o Papa irá visitar a cidade de Assis, santo padroeiro da Itália, no próximo dia 4 de outubro, quando se celebra a festa de São Francisco.

A comunidade recebeu a notícia com aplausos ao som dos sinos do Sacro Convento de Assis. Em entrevista ao Vatican Insider, Frei Mauro Gambetti, Custódio do Sacro Convento de Assis, disse que “Francisco trouxe um clima de novidade, e isto se percebe principalmente nas pessoas que se aproximam; neste novo desejo de buscar um contato com Deus, com a espiritualidade. Muitas vezes, há um desejo religioso no coração de cada um, que talvez não está bem delineado. Agora, as pessoas renovaram o impulso desta busca”. O custódio acredita que tudo isto é uma novidade suscitada pelo Papa ao tomar o nome de Francisco.

O Papa defende uma Igreja comprometida com a paz e com a tutela da criação, e os franciscanos têm se sentido mais responsabilizados neste engajamento, que assumem como um legado de São Francisco. Frei Nestor Schwertz é membro da cúria dos Franciscanos. Em conversa conosco, ele revela que este tema é motivo de reflexão contínua na Ordem.

Outro motivo de felicidade para a Ordem foi nomeação do Ministro-geral, Frei José Carballo, para Secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Nosso entrevistado, Frei Nestor, dedica palavras elogiosas ao Presidente da Congregação, Cardeal João Bráz de Aviz.

Ouça a entrevista completa com Frei Nestor, clicando acima.
(CM

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/05/31/no_papado_de_francisco,_a_reflexão_contínua_dos_franciscanos._ouça/bra-697219
do site da Rádio Vaticano