os 10% mais ricos e a metade mais pobre. Entrevista especial com Marcelo Medeiros
“As pessoas acham que o 1%
mais rico é formado por milionários, mas isso não é verdade. Os ricos
são pessoas que você vê passar na rua todos os dias”, diz o sociólogo.
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| Foto: jornalggn.com.br |
A pesquisa
“A
estabilidade da desigualdade de renda no Brasil, 2006 a 2012:
Estimativa com dados do imposto de renda e pesquisas domiciliares”, que compara os dados da
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD com os do
Imposto de Renda, demonstra que a desigualdade é 11% maior do que se costumava estimar apenas com base nos dados da
PNAD. Por conta desse resultado, será necessário “reavaliar parte do que sabíamos sobre desigualdade no
Brasil.
Isso não significa que tudo que temos até agora deve ser descartado, e,
sim, que algo do que sabemos deve ser repensado. Mas aquilo que
achávamos que eram causas importantes da desigualdade talvez venha
perder parte de sua importância”, pontua
Marcelo Medeiros, um dos autores da pesquisa, em entrevista concedida por e-mail à
IHU On-Line.
De acordo com o professor da
Universidade de Brasília – UnB, os dados do
Imposto de Renda
possibilitam detectar um estrato específico da população brasileira: os
mais ricos. Apesar de ainda não ser possível apontar quem são as
pessoas mais ricas do país,
Medeiros assinala que
“pesquisas anteriores estavam baseadas em dados que, sabemos agora com
mais segurança, estavam subestimando as rendas dos ricos. O que sabíamos
até o momento é que a riqueza não é simplesmente o inverso da pobreza.
Aquilo que faz uma pessoa deixar de ser pobre não é o mesmo que faz uma
pessoa ser rica, o que aliás é meio óbvio.
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